segunda-feira, 13 de junho de 2011

Explosão Solar

 

Rara explosão solar pode prejudicar telecomunicações

Maior tempestade solar desde 2006 pode causar panes a partir da tarde desta quarta. Veja vídeo acima:




Foto: NASA/ Solar Dynamics Observatory
Explosão solar dispersou partículas que cobriram quase metade da superfície solar
Equipamentos da agência espacial americana registraram na madrugada de hoje (7) uma grande explosão solar que poderá perturbar a atividade de satélites, telecomunicações e redes elétricas a partir de quarta-feira (8).

A grande nuvem de partículas cresceu rapidamente e se dispersou parecendo cobrir uma área quase do tamanho da metade da superfície solar. Segundo o serviço de meteorologia dos Estados Unidos (NWS, na sigla em inglês), desde 2006 não se via uma tempestade solar deste tamanho.

As labaredas solares ocorrem logo no começo do evento como uma pequeno flash de luz. Um material escuro, o filamento da erupção, é emitido e se expande por uma grande área da superfície solar. A raridade desta explosão solar está justamente no tamanho de sua expansão.

O Solar Dynamics Observatory (SDO), da NASA, observou o pico das atividades solares às 2h41 (horário de Brasília), as imagens foram captadas riqueza de detalhes. A equipe do SDO classificou a explosão solar como um "espetáculo visual". As partículas resultantes da explosão, que se movimentam pelo espaço a 1400 km/s. Segundo comunicado do NWS, o fenômeno pode provocar uma tempestade magnética de pequena a moderada, a partir das 15h, horário de Brasília. Ela pode causar problemas nos sistemas de GPS, obrigando aviões a modificar suas rotas ao sobrevoar regiões polares.
As explosões na superfície do Sol têm causado preocupação entre os cientistas. O astro tem ciclos de atividade a cada 11 anos, e ele estaria entrando num período de pico entre 2011 e 2012.

domingo, 12 de junho de 2011

Terremotos elevam a natalidade - Superinteressante

Ciência Maluca

Terremotos elevam a natalidade

por Thiago Perin
Uma pesquisa da ONU constatou que a taxa de fertilidade no Haiti triplicou após o terremoto que atingiu o país em janeiro de 2010. Tudo porque, com os hospitais destruídos pela tragédia, a oferta de contraceptivos diminuiu. E, além de contarem com menos preservativos, os sobreviventes teriam passado a fazer mais sexo - como forma de lutar contra o estresse.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Satélites flagram madeireiros em ação

Satélites pillan a los madereros in-fraganti
Crédito: Survival International
Sexta, 27 de maio de 2011
Muitas vezes, parece que nossa sociedade repleta de “Big Brothers” é vigiada demais, com milhares de satélites riscando o céu, centenas de câmeras monitorando nossas ações e as questionáveis políticas de privacidade que permeiam as redes sociais. Mas de vez em quando, esses espiões de olhos múltiplos flagram uma irregularidade e todos respiramos aliviados por eles existirem.
Tomemos como exemplo o caso dos Ayoreosos do Paraguai, um dos últimos povos indígenas a viver, em grande parte, isolados do contato com o mundo moderno. Ao longo da última década, madeireiros e fazendeiros devastaram a floresta do norte do Paraguai. Segundo The Guardian, “quase 10% da floresta virgem do norte do Paraguai foi derrubada”. Para piorar a situação, esse desmatamento intensivo tem acontecido nas áreas próximas às tribos dos Ayoreos, sem seu conhecimento ou aprovação.
Depois que essa tragédia foi revelada, foi declarada uma moratória para o corte da madeira nas terras dos Ayoreos, mas imagens de satélites obtidas em dezembro passado por grupos de defesa dos indígenas, incluindo a Survival International, mostram claramente que o desmatamento ilegal ainda está em andamento. Como parece não haver grande fiscalização das normas de corte de madeira no solo, os ativistas recorreram aos satélites para vigiar o processo.
Outros esforços que usaram imagens de satélite denunciaram a ocorrência de desmatamento ilegal em Madgascar, Brasil, Indonésia e no Congo, entre outros países.
As imagens podem ajudar a chamar a atenção para instâncias específicas da atividade ilegal, mas segundo a Wired Science, não existe atualmente um rastreamento sistemático do desmatamento dentro da área em questão – e a floresta paraguia continua a ser destruída. Se os ativistas equipados com satélites continuarem a denunciar o desmatamento ilegal, espera-se que a pressão para punir as empresas responsáveis aumente

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História do Egito





A Civilização egípcia é datada do ano de 4.000 a.C., permanecendo  estável por 35 séculos, apesar de inúmeras invasões das quais foi vítima.
Em 1822, o francês Jean François Champollion decifrou a antiga escrita egípcia tornando possível o acesso direto às fontes de informação egípcias. Até então, o conhecimento sobre o Egito era obtido através de historiadores da Antigüidade greco-romana.
 
O MEIO AMBIENTE E SEUS IMPACTOS
Localizado no nordeste africano de clima semi-árido e chuvas escassas ao longo do ano, o vale do rio Nilo é um oásis em meio a uma região desértica. Durante a época das cheias, o rio depositava em suas margens uma lama fértil na qual durante a vazante eram cultivados cereais e hortaliças.
O rio Nilo é essencial para a sobrevivência do Egito. A interação entre a ação humana e o meio ambiente é evidente na história da civilização egípcia, pois graças à abundância de suas águas era possível irrigar as margens durante o período das cheias. A necessidade da construção de canais para irrigação e de barragens para armazenar água próximo às plantações foi responsável pelo aparecimento do Estado centralizado. Nilo > agricultura de regadio > construção de obras de irrigação que exigiam forte centralização do poder > monarquia teocrática
EVOLUÇÃO HISTÓRICA
A história política do Egito Antigo é tradicionalmente dividida em duas épocas:

Pré-Dinástica (até 3200 a.C.): ausência de centralização política.
População organizada em nomos (comunidades primitivas) independentes da autoridade central que era chefiada pelos nomarcas. A unificação dos nomos se deu em meados do ano 3000 a.C., período em que se consolidaram a economia agrícola, a escrita e a técnica de trabalho com metais como cobre e ouro.
Dois reinos Alto Egito (sul) e Baixo Egito (norte) surgiram por volta de 3500 a.C. em conseqüência da necessidade de se unir esforços para a construção de obras hidráulicas.

Dinástica:


Forte centralização política Menés, rei do Alto Egito, subjugou em 3200 a.C. o Baixo Egito. Promoveu a unificação política das duas terras sob uma monarquia centralizada na imagem do faraó, dando início ao Antigo Império, Menés tornou-se o primeiro faraó. Os nomarcas passaram a ser “governadores” subordinados à autoridade faraônica.
PERIODIZAÇÃO HISTÓRICA
A Época Dinástica é dividida em três períodos:
Antigo Império (3200 a.C. – 2300 a.C.)

Capital: Mênfis foi inventada a escrita hieroglífica.
Construção das grandes pirâmides de Gizé, entre as quais as mais conhecidas são as de Quéops, Quéfrem e Miquerinos. Esses monumentos, feitos com blocos de pedras sólidas, serviam de túmulos para os faraós. Tais construções exigiam avançadas técnicas de engenharia e grande quantidade de mão-de-obra.
Invasão dos povos nômades: fragmentação do poder Médio Império (c. 2040-1580 a.C.)
Durante 200 anos o Antigo Egito foi palco de guerras internas marcadas pelo confronto entre o poder central do faraó e os governantes locais – nomarcas. A partir de 2040 a.C., uma dinastia poderosa (a 12ª) passou a governar o País iniciando o período mais glorioso do Antigo Egito: o Médio Império. Nesse período:
  • Capital: Tebas
  • Poder político: o faraó dividia o trono com seu filho para garantir a sucessão ainda em vida
  • Poder central controlava rigorosamente todo o país
  • Estabilidade interna coincidiu com a expansão territorial
  • Recenseamento da população, das cabeças de gado e de terras aráveis visando a fixação de impostos
  • Dinamismo econômico
Os Hicsos
Rebeliões de camponeses e escravos enfraqueceram a autoridade central no final do Médio Império, permitindo aos hicsos - um povo de origem caucasiana com grande poderio bélico que havia se estabelecido no Delta do Nilo – conquistar todo o Egito (c.1700 a.c.). Os hicsos conquistaram e controlaram o Egito até 1580 a.C. quando o chefe militar de Tebas derrotou-os. Iniciou-se, então, um novo período na história do Egito Antigo, que se tornou conhecido como Novo Império.
As contribuições dos hicsos foram:
  • fundição em bronze
  • uso de cavalos
  • carros de guerra
  • tear vertical
Novo Império - (c. 1580- 525 a.C.) O Egito expulsou os hicsos conquistando, em seguida, a Síria e a Palestina.
Capital: Tebas.
  • Dinastia governante descendente de militares.
  • Aumento do poder dos sacerdotes e do prestígio social de militares e burocratas.
  • Militarismo e expansionismo, especialmente sob o reinado dos faraós Tutmés e Ramsés.
  • Conquista da Síria, Fenícia, Palestina, Núbia, Mesopotâmia, Chipre, Creta e ilhas do Mar Egeu.
  • Afluxo de riqueza e escravos e aumento da atividade comercial controlada pelo Estado.
  • Amenófis IV promoveu uma reforma religiosa para diminuir a autoridade dos sacerdotes e fortalecer seu poder implantando o monoteísmo (acrença numa única divindade) durante seu reino.
  • Invasões dos “povos do mar” (ilhas do Mediterrâneo) e tribos nômades da Líbia conseqüente perda dos territórios asiáticos.
  • Invasão dos persas liderados por Cambises.
  • Fim da independência política.
Com o fim de sua independência política o Egito foi conquistado em 343 a.C. pelos persas. Em 332 a.C. passou a integrar o Império Macedônio e, a partir de 30 a.C., o Império Romano.
ASPECTOS ECONÔMICOS
Base econômica:
  • Agricultura de regadio com cultivo de cereais (trigo, cevada, algodão, papiro, linho) favorecida pelas obras de irrigação.
  • Agricultura extensiva com um alto nível de organização social e política.
  • Outras atividades econômicas: criação de animais (pastoreio), artesanato e comércio.
ASPECTOS POLÍTICOS
Monarquia teocrática:
  • O governante (faraó) era soberano hereditário, absoluto e considerado uma encarnação divina. Era auxiliado pela burocracia estatal nos negócios de Estado.
  • Havia uma forte centralização do poder com anulação dos poderes locais devido à necessidade de conjugação de esforços para as grandes construções.
  • O governo era proprietário das terras e cobrava impostos das comunidades camponesas (servidão coletiva). Os impostos podiam ser pagos via trabalho gratuito nas obras públicas ou com parte da produção.
ASPECTOS SOCIAIS
Predomínio das sociedades estamentais (compostas por categorias sociais, cada uma possuía sua função e seu lugar na sociedade).
  • O Egito possuía uma estrutura social estática e hierárquica vinculada às atividades econômicas. A posição do indivíduo na sociedade era determinada pela hereditariedade (o nascimento determina a posição social do indivíduo).
  • A estrutura da sociedade egípcia pode ser comparada a uma pirâmide. No vértice o faraó, em seguida a alta burocracia (altos funcionários, sacerdotes e altos militares) e, na base, os trabalhadores em geral . 
  • A sociedade era dividida nas seguintes categorias sociais:
  • O faraó e sua família - O faraó era a autoridade suprema em todas as áreas, sendo responsável por todos os aspectos da vida no Antigo Egito. Controlava as obras de irrigação, a religião, os exércitos, promulgação e cumprimento das leis e o comércio. Na época de carestia era responsabilidade do faraó alimentar a população.
  • aristocracia (nobreza e sacerdotes). A nobreza ajudava o faraó a governar.
  • grupos intermediários (militares, burocratas, comerciantes e artesãos)
  • camponeses
  • escravo
Os escribas, que dominavam a arte da escrita (hieróglifos), governantes e sacerdotes formavam um grupo social distinto no Egito.
ASPECTOS CULTURAIS
  • A cultura era privilégio das altas camadas.
  • Destaque para engenharia e arquitetura (grandes obras de irrigação, templos, palácios).
  • Desenvolvimento de técnicas de irrigação e construção de barcos.
  • Desenvolvimento da técnica de mumificação de corpos.
  • Conhecimento da anatomia humana.
  • Avanços na Medicina.
  • Escrita pictográfica (hieróglifos).
  • Calendário lunar.
  • Avanços na Astronomia e na Matemática, tendo como finalidade a previsão de cheias e vazantes.
  • Desenvolvimento do sistema decimal. Mesmo sem conhecer o zero, os egípcios criaram os fundamentos da Geometria e do Cálculo.
  • Engenharia e Artes.
  •  Jogavam xadrez.
ASPECTOS RELIGIOSOS
  • Politeísmo
  • Culto ao deus Sol (Amom – Rá)
  • As divindades são representadas com formas humanas (politeísmo antropomórfico), com corpo de animal ou só com a cabeça de um bicho (politeísmo antropozoomórfico)
  • Crença na vida após a morte (Tribunal de Osíris), daí a necessidade de preservar o cadáver, desenvolvimento de técnicas de mumificação, aprimoramento de conhecimentos médico-anatômicos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Infanticídio era comum no Império Romano

El infanticidio era común en el Imperio Romano
O infanticídio foi uma prática amplamente tolerada nas sociedades humanas de todo o mundo. Crédito: Getty Images
Por Jennifer Viegas
Sexta, 6 de maio de 2011
Segundo um novo estudo, o infanticídio, a matança de bebês não desejados, era comum no Império Romano e em outras partes do  mundo antigo. 
O estudo, que foi aceito para publicação no Journal of Archaeological Science, explica que "até recentemente (o infanticídio) era uma prática amplamente tolerada nas sociedades humanas ao redor do mundo. Antes da chegada dos métodos anticoncepcionais modernos, era uma das poucas formas existentes de limitar o tamanho da família de forma eficaz e segura para a mãe”. 
Baseando-se em achados arqueológicos, o estudo menciona que a prática teria sido especialmente difundida no Império Romano.
"Acredito que era algo mais tolerado do que aceito no mundo romano, mas é difícil ter certeza”, declarou ao Discovery Notícias o autor do estudo, Simon Mays.
Mays, cientista do Laboratório de Monumentos Ancenstrais do Patrimônio Inglês, e sua colega, Jill Eyers, analisaram o vilarejo romano de Yewden, também conhecido como Hambelden. Datada dos séculos I a IV, a vila está localizada en Hambleden, Buckinghamshire, na Inglaterra.
Uma escavação anterior realizada em Hambleden, em 1921, descobriu que o sítio conta com 97 sepulturas infantis, o maior número de enterros com estas características entre todos os cemitérios romanos antigos na Grã Bretanha. Na época, o arqueólogo responsável suspeitou de infanticídio “pela disposição dos corpos”.
Como poucos esqueletos infantis preservaram evidências da causa da morte, Mays e Eyers utilizaram um método indireto para investigar a prática do infanticídio em Hambleden. As mortes naturais tendem a mostrar uma ampla distribuição por idade nos cemitérios. Entretanto, onde o infanticídio era praticado, a distribuição etária era mais uniforme, com grande incidência de recém-nascidos.
Os pesquisadores mediram os ossos dos restos mortais infantis de Hambleden e os compararam a ossadas encontradas em outros locais: Ashkelon, em Israel, e Wharram Percy, na Inglaterra. Em Ashkelon, que integrava o Império Romano, a história parece ser bem diferente.
Cerca de 100 bebês com aproximadamente a mesma idade morreram em Ashkelon. Não foram enterrados, mas lançados em um canal de esgoto que corria sob um bordel. Os pesquisadores suspeitam que quase todas as vítimas morreram por sufocamento. Apesar de os bebês de Hambleden terem sido enterrados, sua distribuição etária é compatível com a das crianças de Ashkelon.
"Ainda não se sabe exatamente por que foram encontradas tantas crianças nas escavações de Hambleden”, afirmou Mays. "As sepulturas infantis estão mais agrupadas do que dispersas, e o local escavado parece ter sido usado especificamente para abrigá-las”.
Os achados e as evidências crescentes indicam que o infanticídio era comum no Império Romano. Os sítios pré-históricos de Khok Phanom Di, na Tailândia, e Lepinski Vir e Vlasac, na Sérvia, também revelaram prováveis indícios de infanticídio. Um estudo sobre as sociedades humanas realizado em 1973 determinou que em 80% delas, em algum momento do passado ou dos tempos modernos, houve matança intencional de bebês.
Gwen Hunnicutt, da Universidad da Carolina do Norte em Greensboro, e Gary LaFree, da Universidade de Maryland, em College Park, estudaram amplamente o infanticídio, concentrando-se em casos recentes documentados em mais de 27 países do mundo.  
Hunnicutt e LaFree concluíram que havia “uma relação entre a desigualdade de renda e o homicídio infantil feminino”.
"As sociedades extremamente pobres podem usar o homicídio infantil como meio para manter seus recursos, reduzir a tensão econômica ou melhorar a qualidade de vida da família”, explicaram. "Entretanto, o infanticídio diminui nos países caracterizados por uma cultura de violência”.
Os pesquisadores sugerem que os responsáveis por esta prática, em alguns casos poderiam perceber o infanticídio como um “assassinato misericordioso, cujo objetivo pode ter sido aliviar o sofrimento, e não provocá-lo”.
Hunnicutt e LaFree acreditam que "o aumento da assistência do governo às necessidades familiares, como serviços de creche e outros tipos de apoio parental, pode aliviar alguns dos efeitos negativos do impacto econômico das mulheres na mão de obra”.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A importância da morte de Bin Laden

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Foto: AP Foto
Por Eric Niiler
Terça, 3 de maio de 2011
O president Obama chamou esta manhã de “um bom dia para a América” em uma cerimônia na Casa Branca. É claro que o presidente se referia à morte de Osama bin Laden, o pai barbudo do terrorismo, que escapou das forças norte-americanas durante uma década até ser morto em um tiroteio em uma cidade suburbana, a menos de 100 quilômetros da capital do Paquistão.
Mas e quanto ao restante dos americanos? É mesmo um dia bom ou logo será esquecido em meio à labuta diária? E a morte de Bin Laden realmente importa na luta contra o terrorismo?
Os especialistas parecem divididos quanto à segunda questão. Alguns afirmam que a Al-Qaeda prosseguirá sem Bin Laden, mesmo concordando que ele era mais um símbolo do que um líder estratégico. Outros acreditam que o grupo continuará a conduzir operações contra seus alvos no Ocidente e no mundo muçulmano.
"Ele era o homem que fundou a organização e a liderou durante 20 anos”, argumenta Daniel Byman, especialista em terrorismo do Instituto Brookings, em Washington. "Isso certamente importa".
Byman afirma que Bin Laden era uma figura unificadora para a Al-Qaeda e reconciliou várias facções. O grupo manteve um plano de sucessão durante anos, e seu novo líder, o egípcio Ayman Zawahiri, “não têm a estatura e o carisma de Bin Laden”.
Ao longo dos últimos anos, a Al-Qaeda tornou-se mais descentralizada e passou a operar em células individuais em vários países, dificultando sua destruição completa, segundo Kenneth James Ryan, criminologista e especialista em terrorismo da Universidade do Estado da Califórnia, em Fresno.
"Podemos antecipar que as células continuarão em operação”, disse Ryan. Nos últimos anos, o governo norte-americano congelou os ativos financeiros da Al-Qaeda, um esforço que pode ser mais proveitoso do que matar Bin Laden.
"Executar ataques terroristas em lugares distantes do centro de operações financeiras do grupo é muito dispendioso”, explica Ryan. "Acredito que a Al-Qaeda deve ter tido muitos problemas nos últimos anos”.
Ambos os especialistas acreditam que o grupo tentará organizar ataques para vingar a morte de Bin Laden. Na segunda, autoridades de Washington e New York reforçaram a segurança, e o Departamento de Estado emitiu um alerta para os americanos que estão no exterior.
Apesar do futuro incerto, é evidente que, por enquanto, os americanos reagem com júbilo e alívio ao fato de que a justiça foi feita. Milhares de jovens aglomeraram-se diante da Casa Branca para celebrar a notícia anunciada no domingo à noite, agitando bandeiras e cantando “God Bless America”.
Para a viúva do 11 de setembro, Bonnie McEneaney, de New Canaan, Connecticut, a notícia da morte de Bin produz sentimentos contraditórios.
"Quando algo assim acontece, você volta no tempo”, disse McEneaney, que perdeu seu marido, Eamon, nos ataques ao World Trade Center.
"Não há sentimentos de justiça ou vingança”, afirmou McEneaney, autora do livro "Messages: Signs, Visits and Premonitions from Loved Ones Lost on 9/11” (Mensagens: Sinais, Visitas e Premonições das Pessoas Amadas que se foram no 11 de setembro, em tradução livre)
"Sinto-me grata pela habilidade do nosso governo e exército, mas também muito triste por isso teve que acontecer. Não existe uma ‘conclusão’ quando se perde uma pessoa querida”.
McEneaney disse que a notícia também abriu feridas emocionais que levaram um longo tempo para cicatrizar.
Outra viúva do 11 de setembro, Kristen Breitweiser, declarou à CNN que a morte de Bin Laden mudaria o mundo.
"Minha filha de 12 anos acordará amanhã para um mundo mais seguro, e quem sabe, mais pacífico. E isso me traz uma rara sensação de alívio”, afirmou em um comunicado.
“Os americanos ainda sentem o impacto psicológico e emocional do 11 de setembro”, garante Judith Richman, psiquiatra da Universidade de Chicago, “mas não tanto quanto antes”.
Richman estudou o estresse apresentado por americanos comuns em sua vida diária. Nos últimos dois anos, o terrorismo perdeu a importância em quase todos os grupos, exceto para os muçulmanos-americanos.
"A economia é muito mais importante para as pessoas agora do que o terrorismo”, explica Richman. "Para as pessoas que não têm emprego ou têm subempregos que mal cobrem as despesas, isso é quase um alívio, uma distração”.