terça-feira, 9 de agosto de 2011

Encontrado quarto do século XVIII com inspiração egípcia


Egito
O Quarto egípcio de Casalbuttano. Crédito: Rossella Lorenzi.
Por Rossella Lorenzi
Hieróglifos estranhos e representações de deusas e deuses egípcios foram encontrados no Vale do Pó, norte da Itália, revelando um exemplo único de Egiptomania.
Em Casalbuttano ed Uniti, uma vila a 16 km de Cremona, a decoração de inspiração egípcia foi encontrada e restaurada após a retirada da tapeçaria de um quarto do Palazzo Turina, uma construção do século XVIII que agora abriga a prefeitura da vila.
Surgiu um teto azul estrelado e, nas paredes pintadas de rosa e creme, faixas coloridas revelaram uma riqueza em hieróglifos.
Pintados com estonteantes efeitos em trompe-l’oeil para criar a ilusão de estátuas reais, desenhos de deusas e deuses egípcios surgiram nos cantos do cômodo.
“Foi uma descoberta incrível. A cola animal usada para a instalação da tapeçaria acabou conservando os afrescos, que só precisavam de uma limpeza básica”, conta Virginia Bocciola, uma das arquitetas que comandaram a restauração.
Apesar de arqueólogos terem encontrado o quarto em 2006, ele ficou relativamente desconhecido até pouco tempo, quando Annamaria Ravagnan, responsável pelo corpo de museus da região da Lombardia, pediu que especialistas estudassem a decoração incomum do ambiente.
“Na Lombardia, temos várias vilas com quartos decorados com estilo egípcio, mas nenhum como o de Casalbuttano”, disse Annamaria ao Discovery News.
Jean-Marcel Humbert, Curador Geral do Patrimônio e Inspetor Geral dos museus da França (Ministério da Cultura) concorda.
“Há muitos cômodos desse tipo na Itália e no mundo todo. Todos são diferentes desse pelo período, pelo estilo, pelo tamanho. O quarto de Casalbuttano é único”, disse ele.
Humbert, que é especialista em Egiptologia e um dos maiores experts em Egiptomania – a fascinação por coisas egípcias –, vai publicar um estudo detalhado sobre o quarto no início de 2012.
“É muito interessante devido ao uso de hieróglifos e das adaptações que foram feitas”, disse.
De fato, o pintor que fez as imagens egípcias produziu cenas bizarras e até difíceis de interpretar.
Apesar de os hieróglifos serem reais, a maneira como estão ordenados formam um texto incompreensível, enquanto as divindades misturam detalhes claramente egípcios com outros completamente obscuros.
“O estudo é complicado, mais do que em outros cômodos encontrados, porque não está sendo fácil encontrar os modelos de referência”, ressalta Humbert.
Algumas das divindades, identificadas como Sekhmet, Taweret, Hathor e Horus, possuem detalhes que não têm qualquer relação com seu papel na História do Egito.
Por exemplo, Sekhmet, a deusa da cura com cabeça de leão, está sentada no que parece ser uma cadeira etrusca com inscrições sem sentido.
Taweret, a deusa do nascimento e da fertilidade, é normalmente representada com uma cabeça de hipopótamo, patas de leão e cauda de crocodilo, mas, nesta representação, possui uma cauda de vaca.
Pouco se sabe sobre o artista que fez o quarto.
“Sabemos que a rica família Turina deixou a decoração do palácio a cargo de um dos melhores artistas da época, como Gioacchino Serangeli e Giovanni Motta”, disse Maurizio Telli, conselheiro da cultura de Casalbuttano.
O quarto deve ter sido feito após a campanha militar de Napoleão, que ocorreu entre 1798 e 1801, quando os Turinas, assim como muitos outros europeus, ficaram fascinados pelo Egito.
A expedição fracassada gerou uma publicação de vários volumes chamada Description de l’Égypte (Descrição do Egito), um trabalho colaborativo feito por cerca de 160 acadêmicos e cientistas, conhecidos como sábios, e por 2 mil artistas e 400 entalhadores que acompanharam os soldados de Napoleão.
Primeiramente publicada em 1809 e sequenciada até a publicação do último volume em 1829, a obra Description de l’Égypte é a base da Egiptologia moderna.
Apesar de o Egito Antigo gerar fascinação muito antes da campanha de Napoleão, a publicação única, com grandes e impressionantes ilustrações em prata, contribuiu muito para o fascínio associado ao estilo egípcio.
Esfinges, obeliscos, pirâmides e “quartos egípcios” começaram a aparecer por todos os lados na Europa.
“Gostamos de pensar que nosso quarto egípcio é único. Aqui, a restauração produziu resultados surpreendentes”, disse Telli.
O quarto egípcio está aberto a visitação sob solicitação prévia.

Arqueólogos amadores são convidados para decifrar papiros


 
Papiro
Foto: Papiro de Oxirrinco 5072 (século 3 d.C.), Evangelho não-canônico. Cortesia da Sociedade de Exploração do Egito e Imaging Papyri Project, Oxford. Todos os direitos reservados.
Quinta, 28 de julho de 2011
Centenas de milhares de fragmentos de papiros, recuperados há 100 anos em um aterro sanitário seco na antiga cidade egípcia de Oxirrinco, atual El-Bahnasa, foram disponibilizados online na tentativa de obter traduções cooperativas.
Escritos em grego durante um período em que o Egito estava sob o domínio de uma classe de colonizadores gregos (e depois romanos), os textos formam uma grande variedade de documentos, de obras literárias a cartas, receitas e até boatos.
Uma janela fascinante para a vida no mundo antigo, as imagens representam uma tarefa monumental: embora vestígios dos pergaminhos tenham sido descobertos em 1896, estudiosos só conseguiram decifrar 2% do texto até agora. Muitos papiros não são lidos há mais de mil anos.
"Pensamos que estava na hora de pedir ajuda", afirmou o líder do projeto, Chris Lintott, do Departamento de Física da Universidade de Oxford.
Trabalhando em colaboração com papirologistas da universidade e a Sociedade de Exploração do Egito, a equipe de Lintott lançou o website Ancient Lives (Vidas Antigas), onde arqueólogos amadores podem ajudar a catalogar e traduzir os antigos manuscritos.
Embora a frase “isso parece grego” pareça se ajustar perfeitamente ao projeto, não é necessário ter conhecer a língua.
Os visitantes do site Ancient Lives são expostos a uma imagem de um fragmento. Podem então clicar em uma letra na imagem e então no que acreditam ser a letra grega correspondente em um teclado, localizado abaixo.
Como fragmentos não-traduzidos aparecem no website, ferramentas de reconhecimento de caracteres ajudarão as pessoas a associar caracteres a símbolos. Uma vez que os caracteres tenham sido transliterados, o computador verifica se o manuscrito foi traduzido por um acadêmico ou não. Se não, é então enviado aos estudiosos para novas análises.
Os pesquisadores já descobriram fragmentos de um evangelho anterior desconhecido, dado como “perdido”, que descreve Jesus exorcizando demônios; novas cartas do filósofo Epicuro; vários diálogos de Platão; um papiro do filósofo e poeta Empédocles sobre a anatomia do olho; a peça perdida de Eurípides, Melanippe, o Sábio; Misoumenos, obra do escritor de comédias grego Menander, e várias peças de Aristófanes.
Entre papéis privados e pessoais, descobrimos por meio desses papiros que Aurelius, o salsicheiro, havia pedido um empréstimo de 9.000 denares de prata, talvez para expandir seu negócio. Em outra carta, escrita em 127 d.C., uma avó chamada Sarapias pede que sua filha volte para que possa estar presente no nascimento do neto.
Desde o lançamento do website, na terça, voluntários já transcreveram mais de 100 mil caracteres, segundo o Ancient Lives.
"Esse esforço está impregnado de um espírito de colaboração”, afirmou o diretor do projeto, Dirk Obbink, palestrante de Papirologia e Literatura Grega da Universidade de Oxford.
"Sozinho, nenhum par de olhos pode ver e ler tudo. De cientistas a professores, de alunos a amantes da antiguidade, todos têm algo a contribuir – e a ganhar”, disse Obbink.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Poluentes “Doze Sujos” atacam novamente

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Crédito: AbleStock.com/Thinkstock
Sexta, 29 de julho de 2011
Uma prisão gelada no Ártico manteve presas 12 ameaças tóxicas que a sociedade baniu décadas atrás. Mas o gelo está derretendo. Agora, Aldrin, Endrin, Mirex e nove outras substâncias logo serão liberadas, e as consequências podem ser mortais.
Não, não é um filme de Michael Bay.
É um alerta dos cientistas que estudam os Doze Sujos, um grupo de poluentes orgânicos persistentes (POPs). A chuva, a neve e outros fenômenos depositaram os produtos químicos no gelo do Ártico décadas atrás, mas com o derretimento do gelo polar, eles podem retornar ao meio ambiente, afirmam pesquisadores da Environment Canada, agência federal canadense, em um estudo publicado no periódico Nature Climate Change.
"Uma grande variedade de POPs foram realocados na atmosfera do Ártico nas ultimas duas décadas em decorrência da mudança climática”, afirmou o estudo, segundo artigo da AFP.
O aquecimento ártico "poderia minar os esforços globais para reduzir a exposição humana e ambiental a estes produtos químicos tóxicos”, alerta o estudo liderado por Jianmin Ma, do Environment Canada.
Os poluentes foram banidos em 2001 pela Convenção de Estocolmo devido aos altos riscos que apresentam à saúde de seres humanos e animais, e por não se decompor rapidamente no ambiente.
Embora os pesquisadores tenham encontrado uma tendência gradual de redução desde que os poluentes foram banidos, uma simulação de computador mostrou que o derretimento do gelo poderia ocasionar um pequeno aumento das concentrações.
Segundo o site US POP Watch, os Doze Sujos são:
*Aldrin- Pesticida amplamente utilizado nas culturas de milho e algodão até 1970. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) permitiu seu uso para o combate a cupins até o fabricante cancelar seu registro em 1987. Bastante similar ao Dieldrin.
*Clordano - Pesticida usado em cultivos agrícolas, gramados e jardins, e em fumigações para controle de cupins. Todos os usos foram banidos pelos Estados Unidos em 1988, mas ainda é produzido para exportação.
*DDT - Pesticida ainda em uso para controle de malária nos trópicos. Todos os usos foram banidos nos Estados Unidos em 1972, exceto em casos de emergência.
*Dieldrin - Pesticida amplamente usado nas culturas de milho e algodão até 1970. O governo americano permitiu seu uso para o combate a cupins até o fabricante cancelar seu registro em 1987. Subproduto da decomposição do Aldrin.
*Endrin – Usado como pesticida para controlar insetos, roedores e aves. Não é produzido ou vendido para uso geral nos Estados Unidos desde 1986.
*Heptacloro – Inseticida de uso doméstico e agrícola até 1988. Também um componente e produto da decomposição do clordano.
*Hexaclorobenzeno (HCH) - Pesticida e fungicida usado em sementes, também é um subproduto industrial. Não é usado amplamente nos Estados Unidos desde 1965.
*Mirex – Inseticida e retardante de chamas, não é usado ou fabricado nos Estados Unidos desde 1978.
*Toxafeno – Inseticida usado principalmente em plantações de algodão. A maioria de seus usos foi banida os EUA em 1982, e as demais, em 1990.
*PCBs – Bifenis policlorados, amplamente usados em equipamentos elétricos, entre outros usos. Sua fabricação foi banida dos Estados Unidos em 1977.
*Dioxinas policloradas e furanos policlorados- Dois notórios tipos de poluentes “não-intencionais”, são subprodutos de incineração e de processos industriais. Regulado nos Estados Unidos sob estatutos ligados ao ar, água, qualidade dos alimentos, segurança ocupacional, descarte de resíduos, entre outros.
Uma pequena quantidade pode percorrer uma grande distância, já que os POPs não se decompõem. Em vez disso, eles se acumulam nos animais à medida que avançam na cadeia alimentar.
A Agência Americana de Registro de Doenças e Substâncias Tóxicas lista os efeitos de cada produto químico em seu banco de dados. Aldrin e Dieldrin, por exemplo, podem causar convulsões, danos renais, dores de cabeça, vômitos e até mesmo a morte.
Os pesquisadores da Environment Canada elaboraram seu alerta com base em observações da atmosfera e simulações de computador sobre os efeitos da mudança climática sobre o gelo do Ártico.
Os pesquisadores observaram as quantidades de três POPs, DDT, HCH e clordano, na atmosfera. Eles monitoraram os produtos químicos de 1993 a 2009 em uma estação das Ilhas Svalbard, na Noruega, e em outra ilha no Ártico Canadense.
"A remobilização dos poluentes produzidos pelos nossos avós são testemunhas indesejadas do nosso passado ambiental, e agora parecem estar ‘saindo do frio’”, conclui Dachs.

domingo, 3 de julho de 2011

Novo Mars Rover da NASA prepara-se para lançamento

Jato
Imagem: Entrega especial - um jato de transporte C17 da Força Aérea entrega o novo rover marciano no Centro Espacial Kennedy. Crédito: TroyCryder/NASA. 
Terça, 28 de junho de 2011
O Mars Science Laboratory, o mais ambicioso projeto da NASA para a prospecção de vida fora da Terra, chegou ao Centro Espacial Kennedy na quarta-feira passada para os preparativos de lançamento.
A sonda, movida a energia nuclear e do tamanho de um carro pequeno, foi projetada para passar um ano marciano (cerca de dois anos terrestres) estudando a região de pouso para determinar se as condições do planeta são, ou já foram, favoráveis à vida.
A NASA espera escolher o ponto de aterrissagem neste verão e está analisando quatro possíveis locais. Os cientistas esperam surpresas onde quer que o rover, apelidado de Curiosity, pouse. Afinal, Marte seria um mundo frio, seco e estéril, mas nem sempre foi assim. O planeta pode ter abrigado – e ainda abrigar – vida microbiana.
O rover Curiosity é o mais recente projeto de exploração marciana da NASA, iniciada em meados da década de 1970 com as sondas Viking. A agência espacial norte-americana reiniciou as aterrissagens na superfície do planeta em 1997, com um programa chamado Pathfinder. Desde então, a NASA lançou os rovers gêmeos Spirit e Opportunity, além da missão de exploração polar Phoenix. Atualmente, apenas o Opportunity continua em funcionamento.
O Curiosity executará mais testes, por isso, será equipado com sistema de aterrissagem, motor de cruzeiro e um aeroescudo protetor. O lançamento será a bordo do foguete Atlas 5, perto da Base da Força Aérea de Cabo Canaveral, no dia 25 de novembro, e deve chegar a Marte em agosto de 2012.

Cassini sobrevoa Helena, a pequena lua de Saturno

Sexta, 24 de junho de 2011
Esta semana, a sonda Cassini da NASA voou a 6.968 quilômetros de distância uma das luas de Saturno, Helena. Medindo apenas 36 × 32 × 30 km, esta minúscula lua só foi descoberta em 1980, quando os astrônomos perceberam que compartilhava sua órbita com uma lua maior do planeta, Dione. Helena acompanha Dione, localizada no ponto Lagangriano Saturno-Dione (L4). Por essa razão, Helena é conhecida por “lua troiana”*, uma das quatro descobertas até agora no sistema saturnino.
Como Helena é tão pequena, parece não ter um campo gravitacional intenso o bastante para moldá-la na forma de uma esfera lisa, um estado conhecido como equilíbrio hidrostático. Por isso, é uma lua cheia de protuberâncias, além de apresentar crateras de impacto e estruturas parecidas com canais. Curiosamente, Helena também tem “duas faces”: um lado é liso e parece coberto por poeira, enquanto o outro é escarpado e pontuado por crateras.
Apesar de este ter sido um sobrevoo próximo, em março de 2010 a Cassini passou a apenas 1.820 quilômetros de Helena. Mas nessa ocasião, a sonda captou a imagem do lado escuro de Helena a partir do lado iluminado, registrando um lindo crescente no processo.
*Esta é a origem do nome de Helena, uma homenagem a Helena de Troia, a bisneta de Cronos (Saturno) na mitologia grega.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

MORRE ITAMAR FRANCO



Morre Itamar Franco, o presidente do Plano Real
Vítima de leucemia, o vice que assumiu após o impeachment de Fernando Collor morre aos 81 anos
O ex-presidente da República e senador Itamar Franco (PPS-MG) morreu neste sábado aos 81 anos após um acidente vascular na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O senador, que havia contraído uma pneumonia grave durante o tratamento contra leucemia ao qual era submetido desde o dia 21 de maio, era divorciado e deixa duas filhas.
De acordo com o hospital, Itamar morreu às 10h15. O corpo sairá de Congonhas às 7h30 deste domingo, com chegada prevista para as 10h em Juiz de Fora, onde acontece o velório. Na segunda-feira, irá para Belo Horizonte para ser velado no Palácio da Liberdade. Ainda na segunda-feira, o corpo será cremado em Contagem.
Políticos brasileiros lamentaram a morte de Itamar. A presidenta Dilma Rousseff, que decretou luto oficial de sete dias, diz que recebeu notícia da morte com "tristeza" e que senador "deixa trajetória exemplar de honra pública". O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deve organizar uma comitiva de parlamentares para acompanhar as cerimônias fúnebres em homenagem ao ex-presidente. A informação foi dada ao iG pelo líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Segundo ele, que confirmou presença na comitiva, os parlamentares devem seguir para Minas Gerais domingo.
O peemedebista assinalou ainda que o Senado deve realizar homenagens a Itamar durante a semana. “O País perde um grande brasileiro, um homem autêntico, que encarava a política com muita seriedade. Ele tinha uma forma peculiar de fazer política, com muita paixão”, disse.
Itamar Franco lança o Plano Real, em 1994, ao lado do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero - Foto: Arquivo Pessoal
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Foi durante o mandato de pouco mais de dois anos – entre outubro de 1992 e dezembro de 1994 – à frente do Palácio do Planalto que surgiu o Plano Real, programa econômico responsável pela estabilização da moeda. O plano, apresentado pelo então ministro Fernando Henrique Cardoso, permitiu o crescimento e o otimismo que o País viveu nas últimas duas décadas.
Ao mesmo tempo em que enfrentava a inflação, Itamar foi alvo da língua afiada de críticos de seu governo, que apelidaram sua gestão de “República do Pão de Queijo”, uma alusão às nomeações de políticos do segundo e terceiro escalões de Minas Gerais, seu berço político, para ministérios em Brasília. Depois do mandato, de volta a Minas, Itamar exibiu um lado genioso ao decretar a moratória das dívidas do Estado.
Com a morte de Itamar, assume sua cadeira no Senado Federal o suplente José Perrella de Oliveira Costa, conhecido como Zezé Perrella, ex-presidente do clube mineiro de futebol Cruzeiro.
Trajetória
Nascido em 28 de junho de 1930 em um barco que ia de Salvador, capital baiana, para o Rio de Janeiro, capital fluminense, Itamar Augusto Cautiero Franco foi criado em Juiz de Fora.
Órfão de pai, teve infância pobre na cidade, localizada a 260 quilômetros da capital mineira, Belo Horizonte. Formou-se em engenharia e eletrotécnica pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora, em 1955.
Antes de iniciar sua carreira política, foi auxiliar de estatística do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), topógrafo do Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), diretor da Divisão Industrial de Juiz de Fora e do Departamento de Água e Esgoto de Juiz de Fora, eletrotécnico, industrial, engenheiro, servidor público e administrador.
Pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Itamar elegeu-se prefeito de Juiz de Fora em 1966 e 1972. No segundo mandato como prefeito, permaneceu por apenas um ano e deixou o cargo em busca de voos mais altos. Chegou ao Senado pela primeira vez em 1974, sendo reeleito em 1982. Em 1986, disputou e perdeu o governo de Minas para Newton Cardoso, hoje deputado federal pelo PMDB.
Real, Fusca e carnaval
Para candidatar-se a vice-presidente, Itamar filiou-se ao PRN em 1989, ano em que foi eleito na chapa encabeçada pelo ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PRTB-AL). Com o impeachment de Collor, Itamar assumiu a presidência em dezembro de 1992, com inflação anual de 1.100%.
Em 1993, primeiro ano do governo Itamar, enquanto a inflação chegou a 6.000%, ministros da Economia passaram pelo desafio de estabilizar a moeda até que o ministro Fernando Henrique Cardoso apresentou a proposta de implementação do Plano Real. O plano deu certo. Com a inflação em queda, subia a popularidade de Itamar e de Fernando Henrique, eleito seu sucessor.
No mesmo ano, Itamar decidiu incentivar a venda de carros populares no Brasil e, por sugestão do presidente, a Volkswagen retomou a fabricação do Fusca, interrompida em 1986. A comercialização do carro não correspondeu às expectativas e o plano do presidente foi abortado prematuramente. Contudo, o “Fusca Itamar”, como ficou conhecido, até hoje reúne uma legião de apaixonados pelo modelo mais popular da história automotiva brasileira.

No carnaval de 1994, segundo e último ano de seu mandato, o então presidente Itamar Franco foi fotografado no camarote da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, na Sapucaí, ao lado da modelo Lilian Ramos. A surpresa era que a jovem cearense, então com 27 anos, estava sem calcinha. As fotos da morena só de camiseta ao lado do presidente brasileiro foram publicadas em dezenas de jornais e revistas no País e do mundo. Apesar do discurso de escândalo adotado pela oposição, o episódio acabou rendendo uma série inesgotável de comentários bem humorados sobre o presidente.
Itamar inspirou cartunistas e cronistas com sua principal característica física, um topete minuciosamente penteado
De volta a Minas
Depois de deixar a presidência e eleger FHC seu sucessor, em 1994, Itamar foi eleito governador de Minas Gerais pelo PMDB em 1998. Polêmico, ele declarou moratória da dívida do Estado à União, por 90 dias, logo quando assumiu, em janeiro de 1999. Com a medida, ele comprou briga não apenas com o Governo Federal, mas também com outros Estados, temerosos com uma eventual desestabilização econômica.
Saiba mais sobre a trajetória de Itamar Franco
Parte superior do formulário

Parte inferior do formulário
Um dos argumentos utilizados por Itamar para declarar a moratória foi o de que a dívida de Minas com a União, à época em R$ 16,2 bilhões, não tinha como ser paga. Cerca de um mês após o comunicado, a União renegociou a dívida de Minas. A medida, entretanto, causou turbulência na sua relação com o então presidente FHC. Itamar também se posicionou contra a privatização de Furnas, à época em que governou Minas.
Quatro anos depois, apoiou a candidatura do hoje senador Aécio Neves (PSDB-MG), que se tornou governador e foi reeleito também com o apoio de Itamar. Quando terminou seu primeiro mandato no Senado, o ex-presidente tornou-se embaixador do Brasil na Itália, onde morou até 2005, por indicação do então presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP).
Ao regressar para o Brasil, em 2006, após tentativa fracassada de disputar o Senado, Itamar decidiu deixar o PMDB. Ele foi derrotado internamente em convenção por Newton Cardoso, para quem perdeu a disputa ao Governo de Minas em 1986. Candidato ao Senado, Newton perdeu a disputa para Eliseu Resende (PFL, atual DEM).
Em 2009, Itamar filiou-se ao PPS. No novo partido, concorreu novamente ao Senado por seu Estado e venceu, com o apoio de Aécio, derrotando adversários como o atual ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT). Atualmente, possuía grande influência na Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O presidente da companhia, Djalma Bastos de Morais, ocupa o posto desde o tempo em que Itamar era governador do Estado. Itamar estava afastado de suas atividades no Senado para tratar-se da leucemia em São Paulo.
* Colaborou Fred Raposo, iG Brasília



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Sem emprego ou perspectivas para o futuro, estrangeiros deixam Europa em 

busca de uma vida melhor


Entre 2003 e 2007, a Espanha recebeu dezenas de milhares de imigrantes, mas a crise econômica que persiste no país está alterando o fluxo migratório. Sem emprego no presente e sem perspectivas para o futuro, os estrangeiros procuram saídas em outros lugares. E o Brasil virou meta para os latino-americanos de baixa formação.


Foto: Gary Manrique/Plataforma Retoprno Sostenible
Com a crise, latinos trocam Espanha por Brasil
De acordo com quatro relatórios que investigam as respostas dos imigrantes diante da crise, o Brasil aparece entre os três destinos preferidos de sul-americanos hispânicos (junto com Estados Unidos e Argentina) como opção para conseguir emprego.
Uma pesquisa da agência de empregos Randstad revelou que 65% dos imigrantes ilegais na Espanha estão pensando ou decididos a trocar a Europa por outro mercado se não encontrarem trabalho até 2012.
Os estudos antecipam um fluxo que já pode ter começado. Em 2010, pela primeira vez nos últimos 35 anos, a Espanha registrou uma taxa de saída de população ativa maior do que a de entrada.
No ano passado, 48 mil imigrantes chegaram e 43 mil estrangeiros retornaram aos seus países de origem, mas 90 mil espanhóis também foram morar no exterior.
O ritmo de redução é tão vertiginoso que em cinco anos o fluxo de chegada pode ser praticamente nulo. Pelas previsões da Fundação de Estudos de Economia Aplicada, se a crise se mantiver como agora, em 2014 chegariam apenas 3 mil imigrantes.
Saídas
Josep Oliver, professor de economia da Universidade Autônoma de Barcelona e um dos autores do Anuário de Imigração da Espanha, do Ministério do Interior, disse à BBC Brasil que “80% dos imigrantes não têm outras saídas além do aeroporto rumo a mercados com melhores opções, como o Brasil, que oferece oportunidades sólidas”.

A pesquisa Mobilidade Laboral, da Randstad, indica que a Espanha perdeu interesse para o trabalhador estrangeiro de baixa formação.
A razão é o perfil destes imigrantes, cujos currículos se limitam a ofícios relacionados a áreas que não se reativam, como serviços e construção.
O setor de construção foi precisamente o que detonou a crise de desemprego. De 2008 a 2010 quebraram mais de 200 mil empresas do ramo, que davam trabalho a 70% dos imigrantes sul-americanos, segundo dados oficiais.
Os estrangeiros entrevistados na pesquisa responderam que querem sair da Espanha, mas temem crises políticas e econômicas na América Latina e só vêem bonança financeira no Brasil, onde criticam a falta de segurança pública.
Mais ainda assim estão convencidos de que se não encontrarem emprego até 2012, o caminho é o aeroporto. Estados Unidos, Brasil ou Argentina, na ordem dos mais votados.
Alta formação
O Brasil também aparece como opção para espanhóis de alta formação.Um estudo elaborado pela consultora Adecco e pela Universidade de Navarra indica que os espanhóis com alto grau de formação e que também foram atingidos pela crise colocam o Brasil como um dos seis destinos preferidos para emigrar por emprego.
O mercado brasileiro é visto como opção para 55% dos entrevistados, junto com Alemanha, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Argentina.
O perfil médio dos interessados em cruzar o Atlântico é de homens, entre 25 e 35 anos, com formações em engenharia, arquitetura, informática, medicina, biologia e investigação científica.
“Que engenheiro ou arquiteto não quer ir para o Brasil, de olho nas obras de infraestrutura? Está tudo por fazer, e agora há também recursos, referências de empresas espanholas já estabelecidas e a abertura ao (idioma) espanhol”, disse à BBC Brasil o professor de Economia da Universidade de Navarra Sandalio Gómez, autor do relatório apresentado em janeiro.
“Essas pessoas entendem que insistir aqui é uma perda de tempo. O Brasil cresce a uma velocidade que nenhum país da Europa pode se comparar”, concluiu.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística confirmam a tendência. Até janeiro de 2011, havia 1,8 milhão de espanhóis morando em outros países; 92.260 no Brasil, um aumento de 10.071 pessoas em um ano no território brasileiro.
Problemas
Mas, apesar das oportunidades, o país perde para outros destinos em vários quesitos. Os entrevistados da pesquisa ressaltam insegurança, falta de serviços públicos de qualidade, instabilidade econômica e jurídica para quem quer criar um negócio próprio e a distância de seus lugares de origem como barreiras a levar em consideração.
O governo espanhol reforça estas conclusões. A diretora-geral do Departamento de Emigração, (que estuda as condições dos espanhóis em outros países), Pilar Pin, define como impedimentos as carências nos sistemas de seguro-desemprego, rede púbica de saúde e educação e a legislação trabalhista.
Em um relatório oficial apresentado em maio depois de uma visita a Brasília, Pin afirmou que o Brasil tem “enorme potencial com seus iminentes eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, além de obras para abastecimento de energia, proteção ambiental e turismo".
Apesar disso, o relatório observa: “A legislação de implantação de empresas no Brasil é restritiva demais. Nossos trabalhadores vão com licença de obra. No final do contrato encontram muitas dificuldades para estabelecer-se por conta própria”.
Mesmo assim, segundo o relatório, as autoridades brasileiras calculam que faltam 1,9 milhão de profissionais de alta qualificação. Uma lacuna que os espanhóis poderiam ocupar.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

CRISE NA ESPANHA

RUAS DA ESPANHA:
200 MIL 
CONTRA O ARROCHO 



A indignação das ruas ainda não tem programa, diz Slavoj Zizek. No seu entender, significa que não saberia o que fazer no fatídico 'dia seguinte ' de uma eventual chegada ao poder. Mas a julgar pelo que ocorreu na Espanha neste final de semana, quando 200 mil pessoas tomaram as ruas de Madrid, Barcelona, Valencia , Sevilha etc a indignação já tem um alvo claro a mirar: o Pacto do Euro. "  No, no nos representan!", protestavam os manifestantes espanhóis neste domingo, quando compactos cordões humanos se acercavam dos parlamentos, deixando clara a rejeição ao acordo dos 17 países europeus firmado em março último. Acordo entre aspas. Talvez fosse melhor dizer pacto entre a corda e o pescoço para denominar o que vem sendo tentando desde o início da crise na zona do euro, quando Alemanha e França buscam fixar as condicionalidades para ministrar soro financeiro adicional às economias combalidas (Grécia, Espanha, Portugal, Irlanda etc). Entre as 'reciprocidades' agora escorraçadas pelas ruas estão cortes e regras restritivas para aposentadorias, cortes de serviços sociais, reajustes salariais vinculados exclusivamente à produtividade, cortes drásticos nos déficits públicos (os mesmos que cresceram porque o setor público, em muitos casos, socorreu a banca privada pega no contrapé da bolha de crédito e especulação). O 'pacto do Euro'  de março já é uma adaptação 'suavizada' da austeridade prussiana requerida no início da crise por Angela Merkel como condição para colocar dinheiro alemão extra no caixa dos governos em dificuldades. O que ninguém previa nos idos de março é que multidões  de pescoços sairiam às ruas para rechaçar as ‘ofertas' da corda, como tem ocorrido com freqüência e intensidade crescentes.Zizek tem razão: não há um programa para ' o dia seguinte', o que representa um flanco histórico perigosíssmo (não por acaso a direita radical venceu as eleições regionais espanholas recentemente e ganhou o governo em Portugal). Ao mesmo tempo, quando o rechaço à espoliação financeira toma as  proporções e a contundência registradas na Espanha e na Grécia a questão é saber se o outro lado tem  legitimidade para esmagar um imaginário social que lhe é francamente hostil. No caso das privatizações impostas  à Grécia, por exemplo, que partido assumirá o ônus de nomear um síndico de massa falida, sabendo de antemão que o sacrifício é, ao mesmo tempo, leonino e  insuficiente, sangrento e inútil? Isso nos próprios termos da lógica insaciável que pretende cortar o déficit público de 12,7% para 3%, a toque de caixa. A semana promete.
(Carta Maior; 2º feira,20/06/ 2011)
Milhares de manifestantes defendem greve geral na Espanha